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Mostrando postagens de Novembro, 2008

DEIXA ELA ENTRAR (Låt den rätte komma in, 2008), de Tomas Alfredson

O filme sueco DEIXA ELA ENTRAR foi um desses que conseguiu me pegar em cheio. Estraçalhou-me completamente. Se eu estivesse em uma sala de cinema (aqui em Vitória-ES o filme deve chegar lá no ano de 2015) teria que ser carregado pra casa ao sair da sessão. Reação semelhante em 2008 só com SANGUE NEGRO, ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO.
Acho que se engana quem pensa que o filme é essencialmente sobre vampiros e afins. É acima de tudo uma experiência humana com total respeito pela realidade, sobre com ser adolescente e descobrir o amor nessa fase da vida e que, por um acaso, temos uma vampira de 12 anos no meio da trama. O diretor Tomas Alfredson faz um magnífico confronto entre as coerências do mundo real com os elementos do fantástico, do horror. Tudo parece plausível nesse universo irreal. A câmera sempre distante, serena, apenas enquadrando, compondo, trabalhando o foque e o desfoque, reflexos, sem muitos cortes nem os artifícios que parecem f…

THE MACHINE GIRL (Kataude Mashin Gâru, 2008), de Noboru Iguchi

Aquele típico filme que aparece de tempo em tempo pra reafirmar o grau de insanidade dos japoneses. Completamente vazio e sem sentido, THE MACHINE GIRL é uma parábola oca sobre vingança que resulta não mais que um simples espetáculo visual de violência explícita, gráfica até o talo, com direito a litros de sangue, membros decepados e cenas de luta e ação exageradas que lembram uma mistura de anime com uma versão gore dos Changemans, ou algo assim.

A trama é sobre uma garota que vive sozinha com seu irmão. Seus pais cometeram suicídio, mas ela possui uma vidinha pacata, vai a escola, pratica esporte, etc. O problema é que seu irmão se envolve com o filho de um Yakuza e acaba assassinado. A garota então parte pra vingança e nem mesmo depois de perder um braço, desiste de vingar a morte de seu irmão. A solução é colocar uma metralhadora no lugar do braço, só para vocês terem uma noção do negócio...

Referencias à outros filmes e diretores é que não falta em THE MACHINE GIRL. A já citada met…

PINEAPPLE EXPRESS (2008), de David Gordon Green

Texto meio cretino para um filme que merece mais, mas tudo bem. Pineapple Express pareceu-me uma junção perfeita entre os roteiristas de Superbad com o diretor David Gordon Green, um dos poucos cineastas da sua geração que conseguem imprimir uma visão de autor dentro do cinema americano atual, independente do gênero em que trabalha. O que poderia então esperar de uma "comédia de drogas" recheada de piadas infames, muito tiroteio, explosões e pancadaria dirigida por um sujeito que sempre trabalhou com um modesto orçamento em filmes de grandezas puramente cinematográficas? A resposta é Pineapple Express, um filme que consegue ser engraçado sem ser asqueroso ou dispensável, e para os mais experimentados é visível as influencias do cinema politicamente incorreto dos anos setenta e oitenta em cada situação que os personagens de Seth Rogen e James Franco despencam (estes, aliás, estão excelentes) e possui ritmo e elementos suficientes para não deixar espectador algum bocejar.

Anos 40

Quando fiz a lista dos meus filmes preferidos dos anos 50, disse que não daria continuidade para as décadas de 40, 30 nem de 20. Mas como a Liga dos Blogues Cinematográficos (da qual eu sou membro, por incrível que pareça) está elaborando um top da década de 40, resolvi postar aqui o que eu mandei pra eles:

1. Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette, 48), Vittorio de Sica
2. Festim Diabólico (Rope, 48), Hitchcock
3. As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath, 40), John Ford
4. Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident, 43), William A. Wellman
5. O Boulevard do Crime (Les Enfants du paradis, 45) Marcel Carné
6. A Felicidade não se Compra (It's Wonderfull Life, 46), Frank Capra
7. A Beira do Abismo (The Big Sleep, 46), Howard Hawks
8. Cidadão Kane (Citizen Kane, 41), Orson Welles
9. O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of Sierra Madre, 48), John Huston
10. Curva do Destino (Detour, 46), Edgar G. Ulmer
11. Fuga do Passado (Out of the Past, 47), Jacques Tourneur
12. Pacto de Sangue (Double Indemni…

THE OUTFIT (1973), de John Flynn

The Outfit é filme de ação policial classudo, com excelente direção de John Flynn (que também assina o roteiro) e um elenco que arrebenta em atuações acima da média. Por isso eu fico indignado como um filme desses pode simplesmente ser esquecido. A história pode ser simples, mas a riqueza de detalhes o torna superior que muito filme em qualquer época ou país. O próprio diretor nunca teve a devida atenção que merecia.

Mas chega de reclamar. Vamos ao que interessa, porque de qualquer forma, The Outfit é um filmaço que traz Robert Duvall sedento de vingança pela morte de seu irmão e passa o filme inteiro dando uma tremenda dor de cabeça aos responsáveis, seja roubando-lhes dinheiro em vários assaltos em lugares diferentes ou distribuindo chumbo na carcaça dos pilantras que resolvem impedir seus atos.

Seu principal alvo é ninguém menos que Robert Ryan, perfeito como sempre e em um de seus últimos papéis no cinema. Além dele, temos no elenco Jon Don Baker como o ajudante de Duvall, Timothy C…

A HORA DA BRUTALIDADE (52 Pick-Up, 1986), de John Frankenheimer

A Hora da Brutalidade é desses thrillers policiais que só poderia ter saído dos anos 80 quando os roteiros ainda elaboravam histórias inteligentes e criativas, criavam universos crus e violentos, vilões marcantes, heróis ambíguos e os diretores possuíam força narrativa sem afetações da linguagem de vídeo clip, tudo isso raro nos dias de hoje. John Frankenheimer já era um mestre do cinema americano quando dirigiu este aqui a partir do roteiro de Elmore Leonard, o pai dos romances policiais contemporâneos. E o filme conta com um elenco de primeira encabeçado pelo grande Roy Scheider, que partiu desta pra melhor no início do ano, além de Ann-Margret, John Glover e Clarence Williams III.

Na trama, Scheider interpreta Harry Mitchell, um empresário muito bem sucedido no ramo da siderúrgica, e embora tenha um casamento estável, dinheiro, um carrão, ou seja, não lhe falta nada, possui um relacionamento extraconjugal. Até aí tudo bem, digamos assim, já que é normal figuras desse tipo colocarem…

NAKED OBSESSION (1991), de Dan Golden

Frank (Willian Katt) é um sujeito pacato, vivendo sua vida quadrada enquadrada pela mulher e pelo trabalho, é um político prestes a se candidatar à prefeitura da cidade onde mora. Mas em uma bela noite, sua vida se transforma num inferno disfarçado de paraíso após conhecer o misterioso morador de rua Sam Silver (Rick Dean) e ficar obcecado pela stripper Lynne (Maria Ford) que levam o pobre Frank a um perigoso jogo de traição, assassinatos e a uma trama de suspense que até o mestre Alfred Hitchcock se surpreenderia.


Naked Obsession é o primeiro trabalho de Dan Golden atrás das câmeras, embora seja velho de guerra colaborador de grandes nomes do cinema de baixo orçamento americano, como Jim Wynorski. E até que se sai muito bem como um contador de história bem econômico e objetivo, trabalhando os elementos do thriller com precisão e tendo em mãos um material criativo (escrito por ele mesmo e Robert Dodson), cuja produção e suas baixas limitações permitem o charme que só este tipo peculiar…

PERIGO EM BANGKOK (Bangkok Dangerous, 2008), de Danny & Oxide Pang

Pois é, às vezes meu instinto cinéfilo-masoquista fala mais alto e acabo me deparando com umas bobagens como este Perigo em Bangkok. Eu realmente gosto de depositar alguma esperança em filmes difamados. Quando possui alguém com um certo prestígio envolvido no projeto então, eu fico até um pouco mais animado, mesmo sabendo onde estou me metendo. No caso deste aqui, temos na direção os irmãos Pang, cuja carreira foi reconhecida pelos bons filmes de terror que realizaram (embora este aqui seja uma refilmagem de um filme de 1999, escrito e dirigido pelos próprios irmãos) e no elenco, Nicholas Cage se afundando cada vez mais em papéis que não chegam nem aos pés do que já fez nos anos 80 e 90.

Cage vive um assassino solitário, calculista (o de sempre, né?), mata sem remorsos até mesmo seus ajudantes para não deixar rastros pelas cidades onde passa ao redor do mundo. O problema é que a história que o roteiro resolve contar é justamente quando o sujeito amolece o coração. Ao realizar seus ser…

WINCHESTER 73 (1950), de Anthony Mann

Quando estava assistindo o novo 007, em alguns momentos eu me lembrava de Winchester 73, que eu havia conferido uns dias antes. Os dois não têm nada em comum, só que o primeiro me decepcionou um bocado por causa das cenas de ação, e o segundo é praticamente uma aula de direção sobre o assunto. Um Western dos mais originais que eu já vi e conta com o sempre competente James Stewart vivendo um sujeito marcado pelo desejo de vingança caçando o assassino de seu pai. Ele é um excelente atirador, mas seu oponente também não deixa a desejar, como é mostrado logo no início na disputa de tiro ao alvo cujo vencedor leva como premio a belíssima winchester que dá nome ao título. O filme ainda tem em seu elenco Shelley Winters, além de Rock Hudson e Tony Curtis no início de suas carreiras.

A grande sacada do roteiro é colocar a winchester como protagonista de uma jornada pelo oeste americano. O personagem de Stewart ganha o prêmio que disputou no início do filme, mas logo em seguida sua recompensa …

POLIZIOTTI VIOLENTI (1976), de Michele Massimo Tarantini

Neste fim de semana tive o prazer de assistir esta pequena peça do cinema policial italiano dos anos 70. Como todo bom Polizieschi (nome pelo qual este subgênero ficou conhecido), Poliziotti Violenti tem a sua história centrada no submundo do crime organizado onde dois sujeitos cascas-grossas realizam uma série de investigações para desmascarar uma quadrilha que utiliza um armamento pesado, usado pelo exercito italiano, em plenas ruas de Roma. Uma das grandes qualidades do filme é a presença das duas figuras que interpretam os abelhudos. O ator americano Henry Silva, sempre subestimado em seu país, mas muito bem aproveitado no cinema de gênero italiano, vive Altieri, um oficial do exército que se mete em várias enrascadas pra descobrir o caso do armamento e Antonio Sabato, que interpreta Tosi, um policial tentando se infiltrar na organização que trafica essas mesmas armas.

Um acaba cruzando o caminho do outro e o diretor Michele Massimo Tarantini se aproveita muito bem da relação de a…

QUANTUM OF SOLACE (2008), de Marc foster

Bem mais ou menos este novo filme do espião James Bond, Quantum of Solace, e acho que a falha principal foi a escolha de Marc Foster na direção. O sujeito simplesmente não sabe dirigir ação. Foi um bom diretor do cinema independente americano, trabalhou razoavelmente em algumas produções maiores e estava curioso pra ver como ele se sairia neste aqui, principalmente por ser protagonizado por um ícone do cinema e que sempre se espera uma boa dose chumbo disparado e bastante vagabundo saindo de olho roxo.

Isto de fato acontece sem reclamações, o problema da maioria destas seqüências é cair na mesma situação de Chris Nolan em seu Batman Begins. Em vários momentos é impossível acompanhar o que se passa dentro do quadro com a câmera inquieta e às vezes, Foster parece perder totalmente a noção de espaço e mise en scène para porradaria, tiroteios e perseguições. E olha que eu não sou nem um pouco radical com câmeras treme-treme e Paul Greengrass já provou que se pode realizar boas seqüências d…

Michael Crichton

RIP
1942 - 2008

MIDNIGHT MEAT TRAIN (2008), de Ryuhei Kitamura

Surpresa das boas esta nova adaptação de um conto de Clive Barker para telona, Midnight Meat Train, dirigido pelo japonês Ryuhei Kitamura, que eu não conheço muito bem, mas é o responsável por obras como Azumi e Versus, e não faço a menor idéia se são bons, ruins ou tralhas que de tão ruim acabam divertindo (algum de vocês já viram?). Aqui ele mandou muito bem. O filme conta com Vinnie Jones num dos papéis mais sinistros de sua carreira e muita, mas muita violência explícita para delírio dos fãs de gore (apesar do excesso de CGI em algumas cenas).
A história é bem simples e trata de um fotógrafo que possui ambições artísticas e passa noites retratando paisagens urbanas, buscando captar o espírito da cidade através de suas fotos. É aí que sua busca entra no caminho do personagem de Vinnie Jones, um serial killer que estraçalha suas vítimas nos vagões do metrô altas horas da madrugada. Mas podem ficar tranqüilos que eu não estraguei nenhuma surpresa, o grande lance é a motivação assassi…

PORNO HOLOCAUST (1981), de Joe D'Amato

No início da década de oitenta, o diretor italiano Joe D’Amato realizou alguns filmes sob o sol do Caribe e ficou conhecida como a sua fase caribenha (bem criativo). Como sempre, a “agenda lotada” do diretor fez com que ele filmasse vários filmes ao mesmo tempo, seguindo a risca o lema “quanto mais, melhor” e com Porno Holocaust não foi diferente. Realizado junto com Erotic Nights of Livind Deads, D’Amato aproveita-se do mesmo elenco, das mesmas locações e quase o mesmo tema para criar uma obra que mistura sexo explícito com horror.

Mas o roteiro e o seu tema não importam tanto. A trama é risível e provavelmente só existe porque D’Amato ainda não queria se dedicar ao pornô absoluto de seus últimos filmes. Deveria haver uma história que pudesse intercalar uma cena de sexo com outra, sendo assim, o filme trata de um grupo de cientistas (um deles interpretado pelo grande George Eastman, embora não participe de nenhuma cena de sexo) que acaba numa ilha para estudar os danos causados por …
Fim de semana fraquinho, acabei assistindo apenas dois filmes: Queime Depois de Ler (08) está mais para O Grande Lebowski que Matadores de Velhinhas e O Amor Custa Caro. Ufa! Que bom! Mesmo assim não deixa de ser um retrocesso depois do monumento Onde os Fracos não Têm Vez. O filme não é ruim, deixando bem claro, e o princípio que estabelece a narrativa é bem interessante partindo dos conceitos da espionagem, mas que se desdobra numa comédia de erros que fica entre a necessidade de ser um produto de humor comercial (e consegue bons resultados diante do publico, principalmente por causa dos diretores em questão e do elenco de estrelinhas) e a vontade de ser uma comédia de humor negro com ar de filme de autor. Acaba sendo uma mistura imperfeita, principalmente quando a primeira necessidade prevalece e temos, por exemplo, Brad Pitt se ridicularizando numa caricatura de sei lá o que, mas logo depois entra a segunda vontade, e a forma como retiram Pitt de cena é totalmente digna.

Badaladas …

Filmes de Outubro

Segue a lista de todos os filmes vistos em Outubro (acabei não fazendo nenhuma revisão este mês):

THE LIFE AND TIMES OF JUDGE ROY BEAN (72, John Huston) * * * *
CURE (97, Kiyoshi Kurosawa) * * * * *
WALKABOUT (71, Nicholas Roeg) * * * *
MEDO DA VERDADE (07, Ben Affleck) * *
RENDEZ-VOUS (85, André Téchiné) * * * *
RIGHTEOUS KILL (08, John Avnet) *
LUZ SILENCIOSA (07, Carlos Reygadas) * * * *
BARE WENCH PROJECT (00, Jim Wynorski) * * *
TENDER FLESH (98, Jess Franco) * *
A DESCONHECIDA (06, Giuseppe Tornatore) * *
BORDERLAND (07, Zev Berman) * *
NAKED OBSESSION (91, Dan Golden) * * * *
THE BARON OF ARIZONA (50, Sam Fuller) * * * *
ESPELHOS DO MEDO (08, Alexandre Aja) * * *
A QUESTÃO HUMANA (07, Nicolas Klotz) * * * *
A ÚLTIMA AMANTE (07, Catherine Breillat) * * * *
EU SERVI AO REI DA INGLATERRA (06, Jirí Menzel) * * *
PAULINE NA PRAIA (83, Eric Rohmer) * * * *
CADÁVERES (06, Jason Todd Ipson) *
TOOTH AND NAILS (07, Mark Young) * *
FIVE FINGERS OF DEATH (72, Chang-hwa Jeong) * * * *
AINDA ME CHAMAM CAMPO SAN…