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GAME OF DEATH (2010)

Não sei se alguém vai lembrar, mas eu publiquei uma notícia sobre este filme há tempos atrás. Era uma das produções mais esperadas por mim quando foi anunciado como o próximo trabalho do Abel Ferrara, o qual voltaria a trabalhar com Wesley Snipes, numa trama de ação policial e etc. Snipes continuou no projeto, Ferrara pulou fora. Foi substituido por um diretor da TV italina, Giorgio Serafini, ocorreram mudanças no orçamento, no tempo das filmagens, até no roteiro e o resultado é que GAME OF DEATH não passa de um genérico filme B de ação lançado direto para o mercado de vídeo.

Mas não vamos ficar chorando nem imaginando o que poderia ter saído se Ferrara tivesse realizado o filme. Como um fã desse tipo de tralha, o importante pra mim é que temos mais um exemplar para sentar no sofá, com um inebriante qualquer, para se divertir assistindo Wesley Snipes descendo o cacete em bandidos. Especialmente se o elenco conta ainda com Gary Daniels e Robert Davi pra aumentar ainda mais a ansiedade. Sim, eu fico animadão com esse tipo de coisa!

Wesley Snipes é um agente da CIA que age disfarçado como guarda-costa de um mafioso, vivido pelo Robert Davi. Durante uma operação, um grupo de agentes da CIA, liderado por Gary Daniels, resolve roubar o 100 milhões de dólares de uma transação que o mafioso está prestes a fazer. Snipes, que não concorda com essa atitude, decide continuar a “interpretar” o seu papel de guarda-costa para atrapalhar um bocado os planos de Daniels e sua turma.

Ao mesmo tempo em que temos um plot simples e que rende uma boa dose de pancadaria e sequências de ação, temos também um dos roteiros mais preguiçosos que eu me lembro de ter visto neste tipo de tralha, do nível dos filmes DTV do Steven Seagal pré DRIVEN TO KILL. A estrutura do filme é batida, a narrativa é de uma falta de noção espaço temporal (ok, não vamos exigir tanto dos realizadores). Geralmente esses filmes B de ação já são feitos nas coxas naturalmente, já faz parte da essência, com raríssimas exceções. E os clichês são quase obrigatórios… se não tiver, perde a graça. Mas aqui é demais. Os diálogos e algumas situações são extremamente mal resolvidas. É o clichê do clichê.

Para piorar a situação voltamos a ver os tiques visuais e de montagem que estragaram 80% dos filmes do gênero ao longo da década passada. Há algum tempo várias produções de baixo orçamento vinham prezando por uma montagem mais clássica e sem frescuras e em GAME OF DEATH algumas cenas parecem uma porra de video clip e o montador deslumbrado com os recursos de uma mesa de edição como uma criança numa loja de brinquedos querendo brincar com TODOS os brinquedos!

Mas vamos lá, o filme não é tão ruim assim quanto parece, apesar de tudo. Temos algumas boas sequências de luta. Ok, são editadas de forma picotadas e isso espanta muita gente. Eu também prefiro ver cenas de pancadaria da forma que o cinema de Hong Kong ensinou durante muito tempo, mas quando eu consigo enxergar e entender o que ocorre na tela, mesmo com a edição rápida e entrecortada me sinto satisfeito, como é o caso de GAME OF DEATH. Não sou tão radical xiita quanto alguns dos meus amigos blogueiros, hehehe.

E é legal ver novamente o Wesley Snipes atacando de badass, que mata sem remorços com as próprias mãos, sempre achei o Snipes um cara talentoso e aqui, mesmo com a “profundidade” de seu personagem, consegue desempenhar um bom papel. Gary Daniels é a mesma coisa, até surpreende compondo um vilão da pior estirpe, bem raso, mas para o tipo de filme que temos aqui, é suficiente. Já Robert Davi, faz aquilo que sabe. É sempre um ator competente. No elenco ainda temos Zoe Bell e Ernie Hudson completando o time.
Com um roteiro vergonhoso, cheio de defeitos bestas e irritantes na parte técnica, GAME OF DEATH ainda assim consegue divertir o espectador menos exigente que curte uma boa tralha de ação sem muito compromisso. Agora, que deixa uma curiosidade o resultado que teríamos se fosse dirigido pelo Abel Ferrara, com o roteiro preparado pra ele, com certeza deixa. Ferrara é um dos meus diretores favoritos do cinema americano atual, mas gostaria de vê-lo realizar novamente filmes policiais densos daquele jeito que só ele sabe fazer… Vou continuar aguardando.

Comentários

  1. Assisti ontem... o roteiro é mesmo ruim pra cacete. Mas também concordo que o filme diverte, apesar dos defeitos. Os coadjuvantes emprestam classe a ele.

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  2. Eu também vi o filme e concordo com os teus pontos de vista. Entendo sobretudo a frustração que tens com este tipo de filmagem modernaça. Deixei um breve comentário no meu blog Filmes de Merda:

    http://filmesdemerda.tumblr.com/post/2600546716/game-of-death-giorgio-serafini-2010

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  3. Caro Ronald, eu deixei um selo de qualidade para teu blog lá no meu site. Quando você puder de uma olhadinha. Abraços.

    http://midnightdrivein.blogspot.com/

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  4. Opa, valeu, velhinho! Vou dar uma olhada.

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  5. Bah tava esperando um do Ferrara.

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  6. Ronald,

    Citei seu blog entre os meus indicados ao selo Dardos de Qualidade. Acho esse espaço aqui a cara do prêmio. Confira:

    Jukebox:
    http://culturaexmachina.blogspot.com

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