13.10.11

THE HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK (1980)

Não faz muito tempo que vi THE HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK, do Ruggero Deodato, considerado, entre tantas, uma versão “italiana” do THE LAST HOUSE ON THE LEFT, do Wes Craven, que, por sua vez, é uma refilmagem exploitation de A FONTE DA DONZELA, de Ingmar Bergman. De fato, há algumas semelhanças entre o filme do Deodato com o do Craven, mas o que realmente define a ligação entre as duas obras é a presença do ator David Hess encarnando personagens extremamente parecidos em ambas produções. Hess morreu há menos de uma semana e deixou sua marca como uma lenda do gênero, agora se tornou obrigatório um textinho deste filme em sua homenagem.

A sequência inicial dos créditos é  uma maravilha, demonstrando o que podemos esperar de Alex, o mecânico desempenhado por Hess. Dirigindo pelas ruas da cidade à noite, o sujeito não perde a chance de paquerar a gatinha do carro ao lado, o problema é que o cara é um maluco psicótico e a diversão termina com estupro seguido de assassinato. Na trama, Alex e seu comparsa Ricky (Giovanni Lombardo Radice), por algum motivo obscuro, acabam convidados para uma festa particular na casa de umas figuras da alta sociedade e decidem apimentar o evento tomando os anfitriões e convidados como reféns, submetendo-os a uma longa noite de torturas e humilhações.

Pra quem nunca viu o filme, mas já conhece a reputação do diretor, notório pelo clássico CANNIBAL HOLOCAUST e pela violência gráfica de seus trabalhos, um projeto como THE HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK pode gerar uma expectativa equivocada. Não são poucas as resenhas espalhadas pela internet colocando o filme pra baixo, por causa, talvez, de um esperado banho de sangue espirrando na tela, muito gore e visceras e etc… Ok, temos algumas sequências sangrentas, pertubadoras e sádicas, como não poderia deixar de haver, mas nada que chame a atenção, com exceção da cena em que Hess desfere alguns cortes de navalha no corpo de uma jovem, cantarolando “Cindy, Oh, Cindy”.

Talvez o estigma de filme barra pesada se deva também às censuras e cortes que sofreu na época, colocando-o na famosa lista dos video nasties. Mas em termos de visual, é bem leve, Deodato preferiu trabalhar mais um elaborado e lento jogo de tensão psicológica com os personagens do que o grotesco visual.

Particularmente, aprecio o filme. Não acho uma obra prima, mas adoro as escolhas do diretor, especialmente por seguir o caminho das tensões sexuais, explorando a nudez das atrizes em situações extremas. Também é impossível ficar indiferente em relação às performances de Hess e Radice, ambas geniais. E nem mesmo a reviravolta exageradamente forçada que o roteiro criou para justificar toda essa sandice ao final compromete o restante… aliás, este é um dos principais pontos dos detratores para falar mal do filme. Recomendo uma espiada pra ver de que lado vocês ficam...

4 comentários:

  1. Gosto muito mesmo deste filme. Compensou tudo o que Aniversário Macabro me decepcionou. Não o considero realmente horror, mas um suspense sexual de arrebentar os nervos. Não é um clássico, mas todas as peças se encaixam perfeitamente, e é tenso pra caralho.

    "If it's the electrical system, it's going to take about three or four hours to fix... and I'm going boogyin'!"

    PS: cuidado ao citar apenas o último nome do Lombardo Radice, ele odeia ser chamado só de "Radice", lol!

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  2. Opa, valeu pelo aviso! hehehe
    Mas acho que o Sr. Lombardo não vai chegar a ler o meu blog... :D

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  3. Me interessei pelo filme. Gosto de trabalhos subestimados... tenho mó orgulho em levantar a auto-estima deles.

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  4. Também sou fã desse filme, acho subestimadíssimo!
    Legal ler algo recente a respeito!

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