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PLAGUERS (2008)


Filme extremamente anacrônico, oitentista, esta ficção científica do diretor independente Brad Sykes. Botar alguém pra assistir sem informação alguma, o sujeito juraria que se trata de uma produção do Roger Corman de 25 anos atrás. Particularmente, acho isso maravilhoso! No entanto, reconheço também que não é um filme recomendável pra qualquer um, como veremos adiante, principalmente para o público jovem atual.

PLAGUERS segue a linha do horror sci-fi de ALIEN e todas as cópias que surgiram na época, só que no lugar de um monstro alienígena, temos uma tripulação de uma nave espacial transformada em zumbis alienígenas. Foi realizado com um orçamento baixíssimo, o único rosto reconhecível é do Steve Railsback, um dos protagonistas de LIFEFORCE, do Tobe Hooper, que eu comentei aqui outro dia; o filme possui também algumas coisas legais, como um grupo feminino de piratas espaciais usando um modelito bem sexy e uma bola verde de energia alienígena. É justamente este item que começa a liberar algo estranho transformado alguns tripulantes em zumbis-aliens dentuços que parecem saídos de DEMONS, do Lamberto Bava.


Sim, parece que PLAGUERS é tão divertido quanto a minha descrição, com todos esses ingredientes que me conquistam fácil. E eu realmente gosto do filme. Dá pra perceber que estamos diante de uma produção de pouco recurso financeiro e que o diretor se desdobra como pode para se sair bem. O resultado é um trabalho acima da média dentro do gênero, quando se trata de um orçamento como este. Pontos para Brad Sykes!

Mas vamos ver o lado ruim da coisa. Eu não recomendaria PLAGUERS a qualquer um porque todo esse universo criado aqui é tratado com uma desnecessária seriedade. O filme é despretensioso, mas Sykes lida com determinadas situações como se estivesse na obrigação de fazer um sucesso de bilheteria mundial. Isso torna vários momentos pedantes e arrastados, nem mesmo a atmosfera claustrofóbica constante e o visual retrô dão conta de segurar a atenção do espectador moderno, acostumado com edição "videoclíptica" e muita barulheira.


Talvez um pouco de ousadia e exploração em detalhes que realmente importam já resolveria grande parte do problema. Por exemplo, o cara possui um grupo de atrizes gostosas e de vestido curto e não as coloca pra tirar a roupa em momento algum! Não temos uma cena sequer com peitos de fora!

Mas voltemos às boas coisas que o filme tem para oferecer. A principal delas são os momentos de violência gráfica, com efeitos gore old school, muito sangue, muita maquiagem de látex utilizada para o visual dos zumbis e da criatura que surge no final. A cena em que o personagem chamado Riley tem seu corpo rasgado ao meio por um grupo de zumbis é digna de um George Romero dos velhos tempos. Até mesmo os efeitos de computação gráfica da nave se deslocando no espaço lembra os efeitos primitivos do CGI dos anos 90.


Já o elenco não é lá grandes coisas, mas aí também é exigir demais e geralmente atuações ruins me divertem neste tipo de produção, então não tenho do que reclamar. Embora no caso da atriz Alexis Zibolis, que faz a protagonista, ela manda muito bem! E Railsback não é tão aproveitado quanto podia, mas sempre que aparece rende bons momentos.

PLAGUERS é isso. Funciona perfeitamente como um bom entretenimento caseiro, mesmo com o gostinho de que “podia ser melhor no fim das contas”, especialmente se você é fã de sci-fi retrô e generoso com tralhas de baixo orçamento, cheia de imperfeições. Aqui está uma boa pedida.

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