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ATERRORIZADA, aka The Ward (2010)


Não sou de acompanhar fervorosamente todas as novidades e tudo que sai nos cinemas, mas até que este ano consegui assistir a bastante coisas legais, diferente dos últimos anos… Um fato que é importante destacar, na minha opinião, foi o retorno do mestre John Carpenter na direção de longas. Acabei não escrevendo nada sobre THE WARD na época que vi, mas para fechar 2011 com chave de ouro no DEMENTIA 13, o filme escolhido foi justamente este aqui.

O subestimado FANTASMAS DE MARTE, trabalho anterior do velho Carpinteiro, é de 2001 e chegou a passar nos cinemas. Uma pena não termos tido o mesmo privilégio de ver THE WARD na tela grande. Até mesmo lá fora, entrou e saiu do circuito discretamente. Convenhamos, não é nenhuma obra prima, apesar de ser dirigido por um sujeito experiente que já nos brindou com uma porrada de obras maravillhosas. Mas é muito melhor que a grande maioria dos filmes de terror que entram no circuito frequentemente, mas resolveram lançar diretamente em vídeo aqui no Brasil, com o título de ATERRORIZADA.


Amber Heard entra na pele de uma jovem que é trancafiada numa instituição mental após a suspeita de ter causado um determinado incêndio. A trama se passa nos corredores dessa instituição, nos anos 60, onde a protagonista conhece outras garotas internadas e se vê numa situação estranha na qual pacientes desaparecem misteriosamente e elementos sobrenaturais poderiam estar manifestando-se. Ou seria apenas coisas da cabeça da moça?

Lembro que discutindo o filme com amigos na internet, alguém soltou que THE WARD seria uma espécie de A ILHA DO MEDO mesclado a GAROTA INTERROMPIDA. Não lembro se disseram isso de maneira negativa ou positiva, mas pensando bem é uma boa definição. Eu, particularmente, gosto bastante do filme, é um horror divertido de acompanhar, mesmo concordando que seja um trabalho menor do diretor, com soluções equivocadas em vários momentos, alguns caminhos que há quinze anos seria difícil de se ver num filme de John Carpenter. Senti falta das trilhas que o próprio diretor criava para as suas produções. Acho que ajudaria a tornar o filme mais “seu”.


Mas não quer dizer que não tenha ingredientes que fazem lembrar que estamos diante de uma obra do homem. Me pego admirando alguns planos, a maneira como trabalha o suspense, os detalhes dos cenários claustrofóbicos, a forma como constrói a tensão e putz! O velho Carpenter está de volta! Que se danem os sustos e a previsibilidade do roteiro, o clima geral é totalmente old school. Não lembro do Carpenter debruçando sobre o universo feminino como aqui, mas o cuidado com a mulherada é o mesmo que lhe é característico e o elenco corresponde à altura, especialmente Heard que carrega com segurança seu papel.

THE WARD lembra um desses filmes B clássicos de mistério psicológico, disfarçado de terror moderno, mas sem abrir mão de um certo anacronismo. É o tipo de filme que não teria como competir com o terror feito pra moçada do circuito comercial. Carpenter não é para o paladar do público jovem de hoje e, pra ser sincero, isso pra mim pouco importa… assistir em casa ou no cinema, fico satisfeito mesmo é pelo velho Carpenter ter voltado à ação, brincando de horror, mesmo sem o vigor de um THE THING ou ELES VIVEM, porque aí também já seria querer demais depois de quase uma década… mas o sujeito ainda tem estatura para pegar um material besta como este aqui e proporcionar 90 minutos de horror com qualidade.

Comentários

  1. Grande Perrone, cara, conforme conversei com você no festival, Carpenter perdeu a mão nesse filme, acho que pegou leve demais - bom, a verdade é que não consegui entrar no clima que você entrou no filme - esperava mais - Gostei muito mesmo de Cigarret and Burns, trabalho que ele fez para o Masters of Horror - eu também quando o vi, fiz essa comparação com ilha do medo. - Belo texto

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  2. Eu também notei as marcas do mestre aqui, algumas boas sacadas o que torna o filme bem divertido para quem é fã do diretor.
    A pena é que o roteiro era tão limitado e clichê. Daí fica difícil. Mas só por ver o cara em ação, posso dizer que gostei.

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  3. Ótima análise. Acho o filme um razoável entretenimento, mas o Carpenter ainda está devendo um retorno em grande estilo. Ele até consegue imprimir sua marca, mas o roteiro (de uma dupla de iniciantes) realmente é muito raso e derivativo. Pra mim bebeu mais em "Identidade", com o John Cusack, que "Ilha do Medo".

    E pena ver um puta ator como o Jared Harris desperdiçado.

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  4. Ao meu ver este é um filme subestimado pra caramba. Fiz um texto para ele lá no Pudim de Cinema.

    Abs!

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  5. I really enjoyed this one too, a fun, solid, Carpenter flick.

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