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FEMALE VAMPIRE (1973)

A abertura de FEMALE VAMPIRE é uma beleza! Lina Romay se revela através de uma densa bruma vestindo apenas uma capa preta, com os seios à mostra, vagando lentamente em direção ao público, hipnotizado pela sua formosura. A câmera do diretor Jess Franco aproveita para dar alguns dos seus zoons característicos, mostrando em planos detalhes os dotes íntimos e robustos da vestal que continua seu trajeto diretamente para a câmera até a imagem escurecer.

É uma bela homenagem do Franco à exuberância de sua atriz, esposa, musa inspiradora, Lina Romay, que faleceu recentemente, vítima de câncer, aos 58 anos… E aqui prestamos a nossa singela homenagem à ela, pelo amor e dedicação que sempre teve ao cinema extremo e por ter inspirado esse prolífico cineasta a fazer mais de 200 obras!

FEMALE VAMPIRE é um dos filmes ideais para homenageá-la, embora não seja um dos meus favoritos do Franco. Na verdade, trata-se uma dessas produções mais discretas do diretor, realizado com pouquíssimo recurso, talvez filmado em três dias no máximo, com várias cenas claramente improvisadas e sem foco (da câmera mesmo!), sem roteiro, sem sentido algum. No entanto, a presença de Romay é um espetáculo. Nunca a considerei uma grande atriz, tecnicamente falando, mas para uma beldade que se vestia apenas quando o roteiro pedisse e praticava felaccios não simulados para as câmeras do marido, o talento pode ficar em segundo plano, não tem problema… hehe! Ela era perfeita naquilo que fazia.


Se há uma trama para ser descrita aqui, seria algo parecido com isso: Lina Romay é uma vampira muda que ao invés de utilizar os convencionais caninos para perfurar o pescoço e chupar o sangue de suas vítimas, prefere fazer um sexo mortal, cujo orgasmo leva o parceiro(a) à morte. E o filme inteiro segue nessa linha, só na sacanagem e mais sacanagem. Mas tanta sacanagem também cansa e é muito comum o Franco perder totalmente a noção de ritmo. Por outro lado, é justamente nesse tipo de filme que Franco ia às favas com a lógica ou a opinião pública, aproveitava de sua liberdade criativa, botava seu lado safado pra funcionar e ainda criava praticamente do nada uma espécie de narrativa de sonho, cheio de imagens oníricas… Talvez não funcione para o espectador comum, mas o autêntico fã de Jess Franco é igual ao sujeito que adora comer jiló, ninguém convence de que aquilo é ruim de doer!




O filme possui três cortes diferentes com graus de erotismo que variam de um para o outro, todas editadas pelo próprio Franco, utilizando pseudônimos. Na versão que eu vi, conhecida como FEMALE VAMPIRE, não há sexo explícito, apesar de uma ceninha rápida na qual Romay se empolga e abocanha o pinto do ator que contracenava. Mas se querem ver a versão mais quente, se não estou enganado, o título é EROTIKILL. Há ainda uma versão que acredito ser mais branda cujo título é LES AVALEUSES.

Eu não como jiló, mas sou fã de Jess Franco e por mais que FEMALE VAMPIRE tenha seus problemas, é um belo conto erótico sobre vampirismo que cresce a cada revisão, graças, especialmente, ao brilho da musa Lina Romay. Requiescat in pace, bella…

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