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DIRTY HARRY (1971)


Este fim de semana revi dois filmaços que geraram franquias. Revi para refrescar a memória porque o que me interessa mesmo são as continuações, já que nunca assisti, por exemplo, THE ENFORCER e nem DEAD POOL, terceira e quinta continuações, respectivamente, de DIRTY HARRY. Vou aproveitar para rever também MAGNUM FORCE e IMPACTO FULMINANTE e assim, tentar postar a série inteira do policial mais durão de São Francisco, vivido por Clint Eastwood, aqui no blog.

O outro que revi, foi o western SETE HOMENS E UM DESTINO, de John Sturges, cujas continuações ainda não vi... Mais tarde escrevo sobre o primeiro e, durante a semana, vou postando as sequências à medida em que vou conferindo. Por enquanto, vamos ficar com DIRTY HARRY.


Mas se pudesse, eu pulava este e partia logo para o segundo. Fico meio desconfortável, sem algo novo para se dizer sobre DIRTY HARRY... É um clássico, todos sabem. Um dos filmes policiais mais influentes, ao lado de BULLIT e OPERAÇÃO FRANÇA, na renovação do policial americano (como THE STONE KILLER, do post anterior), tendo inspirado a italianada a desenvolver o poliziesco; além de criar um dos personagens mais controversos do gênero, “Dirty” Harry Callahan, que age de acordo com suas próprias leis, cujos ideais nem sempre vão de acordo com os burocráticos métodos da policia e blá, blá, blá...

Pode ser que alguém ainda não saiba que DIRTY HARRY foi baseado na série de assassinatos reais cometidos pelo serial killer chamado Zodíaco, no qual acabou virando um filme mais realista nas mãos do David Fincher em 2007. Uma diferença crucial, obviamente, é que por aqui não há moleza para um assassino tendo um policial casca grossa como “Dirty” Harry Callahan em seu encalço.


DIRTY HARRY foi originalmente anunciado tendo Frank Sinatra no papel título, que vinha fazendo personagens interessantes no fim dos anos sessenta em thrillers policiais e de ação. Mas antes de ser o escolhido, John Wayne, Steve McQueen e Paul Newman também estavam brigando pelo papel. Mas quando Sinatra desistiu, quem acabou encarnando Harry Callahan foi Clint Eastwood.

Com Sinatra pulando fora, o diretor Irvin Kershner também não quis mais saber do projeto. Melhor prá nós, pois Don Siegel, o intelectual da ação, que já havia dirigido Clintão antes, acabou assumindo o posto e fez bonito como sempre. Não faltam por aqui sequências de ação bem orquestradas, tensas e classudas, como a do início, na qual Callahan impede um roubo a banco e aproveita para soltar um de seus discursos mais celebrados:
I know what you're thinking, punk. You're thinking "did he fire six shots or only five?" Now to tell you the truth I forgot myself in all this excitement. But being this is a .44 Magnum, the most powerful handgun in the world and will blow you head clean off, you've gotta ask yourself a question: "Do I feel lucky?" Well, do ya, punk?
Cortesia de alguns bons roteiristas daquele período do cinema americano, incluindo John Milius, que trabalhou numa das primeiras versões do script.


Clint Eastwood tem aqui uma magnífica atuação, daquelas que dá pra perceber que o sujeito realmente entende o personagem. E que presença! A cena na qual o bandido manté,m um ônibus escolar como refém e avista de longe a figura de Dirty Harry estática, fria, esperando tranquilamente em cima de uma ponte, pronto para fazer sua magnum 44 cuspir chumbo grosso, é algo que não dá para esquecer facilmente.

Não por acaso, foi com DIRTY HARRY que o sujeito atingiu o status de grande astro de Hollywood naquele período por parte do público, que encarou o filme como um thriller de ação, dos bons, e não como o produto fascista que alguns críticos apontavam. Sim, Dirty Harry tortura e mata bandido sem qualquer remorço... Mas, repito exatamente as minhas palavras do post anterior: me chamem de reacionário, mas no cinema isso é bom demais!

Fascista ou não, prefiro ressaltar a importância que DIRTY HARRY teve para o gênero, a direção magistral de Don Siegel, a atuação de Clint e de Andrew Robinson como Scorpion, o tal serial killer, as sequências de ação pelas ruas de São Francisco e a sensacional trilha de Lalo Schifrin. O resto é resto. No Brasil o filme é conhecido como PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL.

Comentários

  1. Escrevi sobre este filme há pouco tempo. Tem esse lado "ideológico" em que o poderemos ver como um pouco fascizante. Se nos abstrairmos disso, vemos apenas um bom filme de acção, que fez escola. Além do personagem de Clint Eastwood, o psicopata tem alguma originalidade (do mais irritante que conheço) tornando a vingança ainda mais apetecível.

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  2. Esse é do cacete! Fiz questão de ter esse e suas continuações na minha prateleira - meu favorito é o "Magnum Force". E o politicamente correto que se dane!

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    1. Revi MAGNUM FORCE agora há pouco e já achei melhor que DIRTY HARRY. Tô curioso pra ver o resto...

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    2. Gosto de todos, mas devo reconhecer que o nível cai depois de "Magnum Force". Minha ordem de preferência é:

      1) Magnum Force
      2) Dirty Harry
      3) Sudden Impact
      4) The Enforcer
      5) The Dead Pool

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  3. Reconheço que é um clássico, mas curiosamente este filme não é nem mesmo um dos meus preferidos do Don Siegel. Eu acho THE BEGUILED e CHARLEY VARRICK disparadamente melhores.

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    1. É por isso que o Siegel é tão bom. Também acho vários outros filmes dele melhores que este aqui.

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  4. Meu preferido também é o "Magnum 44" e também acho melhor que o original. As outras sequências são bem fracas, principalmente perto do nível desse segundo filme.

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  5. filme policial incrível e impactante,mas " MAGNUM FORCE " ou 'MAGNUM 44" este é o melhor filme da serie Dirty Harry meu pai adorava este filme mas ele achava " MAGNUM FORCE " melhor,alias!eu assisti quando foi exibido na TV GLOBO no SUPER CINE ambos dos filmes foram exibidos nesta sessão de filmes no começo dos anos 90,John Wayne perdeu o papel de Dirty Harry e faz o filme próprio dele bem inferior a este mencionado no posto o nome do filme é " MCQ" de 1973 Lançado no brasil pela WARNER HOME VIDEO ,também já exibido na tv.

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  6. Dirty Harry é um filmaço que apontou caminhos para o gênero ação, mas eu prefiro Magum 44.

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