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LIGHT BLAST, aka Colpi di Luce (Enzo G. Castellari, 1985)


Depois de ser campeões da Libertadores o Galo já perdeu duas seguidas, então é melhor eu atualizar isto aqui e tirar logo o escudo do clube do topo. Vamos, então, de mais um Castellari, o divertido LIGHT BLAST, um dos exemplares que oferece o que há de mais absurdo e impagável em termos de ação no cinema italiano daquele período. Além disso, numa história básica e bastante funcional, temos umas três ou quatro perseguições de carro em alta velocidade, um punhado de tiroteios espalhados pela narrativa, algumas cenas de pancadaria e boas doses de explosões. Sem contar os cenários e rostos derretidos ao estilo CAÇADORES DA ARCA PERDIDA por causa de uma super arma que o vilão utiliza. Ou seja, pra que serve um roteiro mesmo?


Erik Estrada (acima) é o protagonista e encarna um policial casca grossa que não tem receio de mandar chumbo grosso pra cima dos bandidos. A trama gira em torno do seu trabalho, junto com a força policial, para impedir o tal vilão de utilizar a poderosa arma que derrete seus alvos com extrema facilidade, incluindo edifícios, veículos e pessoas. Seu plano é fazer chantagens aos governantes para ganhar uma grana fácil. O habitual colaborador de Castellari (e também seu irmão), Ennio Girolami, é quem dá vida ao personagem maquiavélico.  


E é isso. Depois de realizar um trabalho introspectivo, sério e poético como TUAREG, Castellari resolveu voltar a fazer algo bem mais leve com LIGHT BLAST, seguindo a linha dos seus exemplares do início da década de 80. Um filme cuja única pretensão é divertir o público com o máximo de sequências de ação que puder colocar na tela.


E comparado com outros filmes italianos do gênero produzidos naquele período, este aqui aparenta ter um bom orçamento, o que acho muito difícil, já que neste período os italianos trabalhavam cada vez mais com dinheiro reduzido. Não sei quanto foi gasto, mas a sequência final, por exemplo, uma perseguição de carros filmada em São Francisco, me parece muito bem produzida... digo, eles precisam de licença, dublês, carros para batidas, fechar algumas ruas para filmar esse tipo de sequência, etc. Não tenho ideia de como fizeram para pagar tudo isso (ou se realmente pagaram), mas o resultado é ótimo!


No entanto, para quem tem acompanhado o ciclo Castellari por aqui já sabe que falar bem de sequências de ação filmadas pelo diretor é chover no molhado. Nem preciso dizer, portanto, que os tiroteios são bem coreografados e as situações que colocam o protagonista em movimento são criativas, o que é sempre habitual na carreira do italiano. O fator novidade que aparece na por aqui é a tal super arma e as imagens de pessoas sendo derretidas, com efeitos especiais toscos pra cacete! Mas muito legais!


O mesmo pode ser dito sobre Erik Estrada. Até que Castellari conseguiu transformá-lo, pelo menos aqui em LIGHT BLAST, num homem de ação competente, capaz de convencer empunhando uma escopeta ou dirigindo velozmente pelas ruas perseguindo os meliantes. E são acontecimentos dessa espécie que definem a obra, mais uma divertida sandice italiana que merecia ser redescoberta por mais cinéfilos de “bom” gosto!

Comentários

  1. Nunca vi, mas me interessei, vou procurar. Valeu pela dica.

    Rafael

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  2. Também não conhecia. O Erik Estrada era marrento bagarai em Chips, deve ter rendido um herói de ação bacana. Vou conferir com certeza. Valeu!

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