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MAGNUM 44, aka Magnum Force (1973)


Pelo visto, o fato do policial Harry Callahan ter jogado fora seu distintivo ao final de DIRTY HARRY, não valeu absolutamente de nada. O filme ganhou esta primeira continuação dois anos depois e logo no início o personagem de Clint Eastwood já aparece de volta agindo como homem da lei. E seguindo ainda os seus princípios anti-sistema, algo que os críticos de cinema na época acusaram de fascismo. Bando de chatos politicamente corretos...

Em MAGNUM 44 não temos um mestre como Don Siegel na direção. Calhou de ser o pau-pra-toda-obra Ted Post no comando, mas tendo John Milius e Michael Cimino assinando o roteiro fica fácil. Até o Uwe Boll e o Albert Pyun conseguiriam fazer um bom filme.


Basicamente, o que temos em MAGNUM 44 é uma série de assassinatos inusitados acontecendo, colocando a força policial e "Dirty" Harry para esquentar os miolos. As vítimas são sempre pessoas do mundo do crime. Mafiosos, cafetões, procurados pela polícia, e o assassino é sempre um policial fardado com o uniforme da polícia de trânsito. Portanto já podemos perceber uma diferença crucial entre DIRTY HARRY e este aqui. Os bandidos não são serial killers com motivos banais, mas justiceiros que decidem iniciar um trabalho de execução para limpar as ruas de São Francisco.             


É difícil alguém ter simpatia pelo Scorpio, vilão do primeiro filme, mas com esses caras de MAGNUM 44 você pode pensar "bem, eles agem mais ou menos como o Harry, não? Possuem a mesma ideologia". E essa é a beleza da coisa. Nós já conhecemos o personagem de Harry, podemos confiar nele, sabemos que só vai atirar em meliantes armados e ainda soltar uma frase cool logo depois. Mas e esse bando de motoqueiros fardados? Quão fina é a linha traçada que separa Dirty Harry desses justiceiros? É algo a se pensar, mas parece que o personagem de Clint Eastwood já sabe a resposta e não quer perder muito tempo com estudos sociológicos. Seu negócio é ação.


E neste quesito MAGNUM 44 se sai realmente muito bem. O diretor Ted Post segue a linha dos cineastas artesãos que sabem fazer a coisa muita bem feita, embora lhes falte o talento de um Peckinpah. Há boas ideias sendo aproveitadas aqui com muita eficiência, como a sequência de perseguição ao final que culmina numa embarcação abandonada e toda a tensão que é construída para deixar o espectador vidrado. Ajuda bastante a presença de Clint Eastwood em cena acrescentando um toque de classe a mais.

Os assassinatos e o modo de agir dos justiceiros também são destaques. Lembro que foi o que mais me marcou quando era moleque e assisti de uma fita VHS que meu velho gravou da Globo no final dos anos oitenta. A sensação era de estar vendo um filme de horror... Me dava arrepio como tudo era conduzido de forma seca e brutal, o policial pedindo a carteira de motorista do indivíduo e do nada puxava o revolver e mandava chumbo na cabeça. Agora que já sou grandinho a sensação se perde, fica a lembrança. Mas essas cenas ainda possuem muita força.


No post sobre DIRTY HARRY de outro dia, vários fiéis leitores expressaram admiração por MAGNUM 44, dizendo que se tratava do melhor capítulo da saga do policial mais durão de São Francisco. Ok, o filme que originou a série é um autêntico clássico, isso não tenho dúvida alguma, mas preciso confessar que concordo que este aqui supere seu antecessor, é um baita filmaço! Agora vamos ver como se sai THE ENFORCER...

Comentários

  1. Esse filme é o meu preferido, um dos melhores da serie na minha opinião.

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  2. Incrível como esse filme não perdeu a força, mesmo nos dias de hoje, e é o melhor da série, disparado! O legal é que a citação ao Brasil se deveu ao fato de que John Milius era obcecado pelos esquadrões da morte daqui. Viva o Brasil!!!

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  3. Por coincidência, semana passada também assisti toda a série de 5 filmes de Dirty Harry. Uma das mudanças notadas na abertura dos filmes é a trilha sonora do mesmo Lalo Schifrin, só daí já dá pra perceber a passagem da década de 70 para 80. Mas todos os filmes mantém a mesma essência, e acho que Clint Eastwood é o principal responsável por manter isso.

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    1. Concordo, mesmo tendo uns mais fracos a essência é a mesma.

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